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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

[Livros] Maze Runner: Correr ou Morrer de James Dashner

Maze Runner: Correr ou Morrer
Tenho de admitir que se este filme não estivesse para ser adaptado para o cinema e se a personagem principal não fosse protagonizada por um dos meus atores favoritos, Dylan O'Brien, provavelmente não teria lido este livro para já. Não sei bem porquê pois desde a primeira vez que li a sinopse, fiquei logo com curiosidade. A premissa de um grupo de jovens sem qualquer memória a tentar decifrar um labirinto pela luta da sobrevivência é algo bastante interessante. No entanto, algo não me puxava logo de imediato. Mas, gente, acreditem, este livro é uma leitura mais que obrigatória.
Este livro tem como personagem principal o Thomas. Thomas é um rapaz de 16 anos que um dia acorda num elevador, sem qualquer memória da sua vida até aquele momento, a não ser o seu nome. Esse elevador para e abra as portas para um lugar estranho onde só vivem rapazes, que tal como ele, não sabem nada a não ser como se chamam. Nesse lugar, a Clareira, todos têm um trabalho. Uns trabalham com os animais, outros nas hortas ou na construção civil e outros, muito poucos, a cuidar da saúde dos que adoecem. Mas o trabalho mais difícil mas também o mais importante é o dos corredores, que todos os dias arriscam a sua vida a procurar uma saída no Labirinto, que se encontra à volta da Clareira. Com a chegada de Thomas, coisas estranhas começam a acontecer, sendo que a mais aterrorizadora é a chegada da primeira rapariga ao labirinto que trás uma mensagem: Tudo vai mudar. A luta pela sobrevivência tornou-se, então, ainda mais imperativa. 
Estão a ver ali no cima da capa a dizer "Imperdível para os fãs de Os Jogos da Fome". Não tomem esta recomendação literalmente porque, sinceramente, eu comparava este livro a todos livros que li menos aos Jogos da Fome. Sim, podemos, colocar este livro de certo modo no género das distopias, mas este livro tem algo que a trilogia que já referi ou mesmo a trilogia Divergente não têm: mistério. Este livro é capaz de ser o livro mais intrigante e que me fez mais pensar e teorizar desde há imenso tempo. Ou mesmo desde sempre, sim porque não me estou a lembrar assim de nenhum livro que me tenho deixado com tantas perguntas. Quase que se encaixava no género policial. Quase, mas não encaixa. 
As personagens são todas elas muito diferentes, mas apesar de o grupo de rapazes que vive na Clareira ainda ser grande, somos apresentados a poucos deles, o que nem foi mau de todo. O Thomas por ser a personagem principal, é aquela por quem ganhamos mais afeto. Ele é corajoso e super inteligente. Ao início quase que pensei que ele era o único a fazer as perguntas certas. Depois temos o Alby e o Newt, os líderes do grupo. Devo dizer que não gostei do Alby logo desde o início. Ao longo do livro achei-o muito contraditório. Num momento dizia uma coisa, logo a seguir já defendia o contrário. Aos pouco comecei a desconfiar dele mas depois no fim acabam por fazer sentido todas estas contradições da parte dele. O Newt, por outro lado, foi outra personagem que gostei logo desde o início. Tenta ver sempre o lado correto mas tentava punha a possibilidade das ideias do Thomas estarem certas. Temos ainda o Chuck que é uma personagem bastante engraçada e um pouco irritante, mas no fundo ele só queria um amigo mas também queria sentir-se útil. E, por fim, falemos da Teresa. Não podemos conhecê-la bem até lá mais para o meio-final do livro, e até aí fiquei sempre a perguntar-me que papel é que ela tinha na história. Quando finalmente a conhecemos um pouco melhor e até ao final do livro, tenho de admitir que não foi uma personagem que me deixasse maravilhado e não pude criar conexão nenhuma com ela. É raro isto acontecer-me até porque ele acaba por ser uma grande peça do puzzle que compõe esta história, mas sinceramente acho que o ator não a desenvolveu muito neste livro, nem se preocupou em que o leitor criasse uma amizade instantânea com ela. O que até pode ser uma jogada para no próximo livro, ela ter mais destaque. O que acredito que vá acontecer. Mas, não sei, para já não a vejo como uma das minhas favoritas. 
Mas nem tudo é bom neste livro e só não lhe dei classificação máxima por causa de dois aspetos. O primeiro é que achei este livro um tanto repetitivo, em algumas partes. Às vezes parecia que o autor não queria que nós nos esquecêssemos de certos detalhes. E ao início, quando isso acontecia, eu pensava que de seguida ia acontecer algo que envolvesse esses detalhes e ficássemos a perceber x ideia. Mas isso não aconteceu, e foi um bocado maçador passar o livro todo a ser relembrado de coisas que só no final é que foram explicadas. O segundo aspeto foi o final. Gostei imenso do final no aspeto do que aconteceu às personagens e no estado em que elas ficaram (quer dizer menos o que aconteceu a uma delas, enfim, nem vou falar disso). Tivemos imensa ação e o meu coração estava ao rubro. No entanto, acho que aquilo que o autor começou por explicar neste livro sobre o mundo fora da Clareira e o porquê da Clareira existir foi ainda mais confuso do que se não tivesse explicado. Claro que ao fim de ter lido essas partes mais umas vezes comecei a perceber melhor, mas mesmo assim acho que James Dashner podia ter optado por ter explicado as coisas de uma maneira diferente. Não sei explicar. mas parecia que ele decidiu escrever aquilo sem o cuidado de tentar perceber se os leitores iriam perceber a sua ideia. Já falei com outras pessoas sobre o assunto e parece que fui o único a sentir-me assim. Talvez o meu coração estava tão ao rubro com o final que quando foi altura de começar a perceber este mundo, eu simplesmente não estivesse com a atenção necessária.
Em suma, este é um livro muito bom e que eu recomendo sem hesitações e restrições. Acho que tem tudo que eu podia pedir num livro na altura em que o li.

Classificação: 4.5/5

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